Quando o jogo deixa de ser escolha, o Cuidado precisa estar ao alcance

Quando o jogo deixa de ser escolha, o cuidado precisa estar ao alcance.

A relação com jogos e apostas pode começar de forma ocasional. Mas, para algumas pessoas, chega um momento em que parar ou reduzir deixa de ser uma decisão simples.

E os impactos podem ir muito além da vida financeira.

O transtorno do jogo pode afetar a saúde emocional, os relacionamentos, o sono, a rotina e até a capacidade de uma pessoa manter suas atividades profissionais.

Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em outubro de 2026, ajudam a dimensionar parte desse cenário.

O número de pessoas que receberam benefício por incapacidade temporária associado ao jogo patológico passou de 67, em 2023, para 157, em 2024, e chegou a 361, em 2025.

Em apenas dois anos, isso representa um crescimento de aproximadamente 439%.

Os dados consideram benefícios concedidos pelo INSS nos quais o código CID F63.0, relacionado ao jogo patológico, aparece como diagnóstico principal ou secundário.

Os números não mostram todas as pessoas que enfrentam problemas relacionados às apostas. Eles registram apenas uma parcela da realidade: aquela em que a condição chegou a resultar em incapacidade temporária e concessão de benefício.

Ainda assim, a evolução chama atenção.

E deixa uma pergunta importante para empresas, RHs e lideranças:

Quando um trabalhador percebe que precisa de ajuda, ele sabe onde encontrá-la?

 

 

Título: Benefícios associados ao jogo patológico

2023: 67 beneficiários
2024: 157 beneficiários
2025: 361 beneficiários

Destaque: crescimento de aproximadamente 439% entre 2023 e 2025.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) / INSS.

O que é o transtorno do jogo?

O transtorno do jogo, também conhecido como ludopatia ou jogo patológico, é reconhecido como um transtorno relacionado a comportamentos aditivos.

Ele ocorre quando existe dificuldade persistente para controlar o comportamento de jogar ou apostar, mesmo quando essa prática começa a provocar consequências negativas.

O problema, portanto, não é definido simplesmente pelo ato de apostar.

É preciso observar a relação que a pessoa estabelece com o jogo e os impactos que esse comportamento começa a produzir em sua vida.

Alguns sinais merecem atenção:

  • Dificuldade para reduzir, controlar ou interromper as apostas.
  • Tentar recuperar perdas realizando novas apostas.
  • Esconder ou mentir sobre o tempo ou o dinheiro gasto.
  • Comprometer salário, contas, economias ou o orçamento familiar.
  • Usar as apostas como forma de lidar com estresse, frustração ou outros sentimentos.
  • Apresentar alterações no sono, no humor ou na rotina.
  • Deixar atividades importantes de lado.
  • Enfrentar conflitos pessoais, familiares ou profissionais relacionados às apostas.

A presença de um desses sinais, isoladamente, não significa que exista um transtorno.

Mas pode ser um indicativo de que vale buscar orientação profissional.

Existe uma idade para começar a fazer exames?

Quando falamos em prevenção, é comum pensar imediatamente em exames periódicos e faixas etárias.

No transtorno do jogo, a lógica é diferente.

Não existe uma idade recomendada para começar a realizar exames de detecção da ludopatia. Também não existe exame de sangue, exame de imagem ou teste laboratorial capaz de diagnosticar o transtorno do jogo.

A necessidade de avaliação pode surgir em qualquer idade em que a relação com jogos e apostas esteja provocando prejuízos, sofrimento ou perda de controle.

Por isso, mais importante do que esperar determinada idade é reconhecer mudanças de comportamento e procurar ajuda quando elas aparecem.

O levantamento do MTE ajuda a mostrar onde os afastamentos registrados estiveram mais concentrados.

Entre os trabalhadores com vínculo ativo que receberam benefício no período analisado, 44,1% tinham entre 30 e 39 anos. A faixa de 40 a 49 anos respondeu por 22,8% dos casos e a de 25 a 29 anos, por 17,1%.

Isso não significa que o transtorno esteja restrito a esses grupos.

Significa apenas que, entre os trabalhadores analisados pelo levantamento, houve maior concentração dos registros nessas faixas etárias.

 

Título: Faixas etárias com maior concentração de registros

25 a 29 anos: 17,1%
30 a 39 anos: 44,1%
40 a 49 anos: 22,8%

Destaque: a maior concentração ocorreu entre trabalhadores de 30 a 39 anos.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Importante: esses dados não indicam uma “idade de risco” e não significam que exista uma idade recomendada para iniciar avaliações. Problemas relacionados ao jogo podem exigir cuidado em diferentes fases da vida.

Como é feita a avaliação?

Não existe um único exame que dê uma resposta de positivo ou negativo.

A avaliação considera o comportamento da pessoa, sua relação com os jogos e apostas e os impactos que essa relação vem provocando na rotina.

Um profissional pode avaliar, por exemplo, a frequência e intensidade das apostas, a dificuldade para diminuir ou parar, o comprometimento financeiro, as tentativas de recuperar perdas, alterações de sono e humor, conflitos familiares, prejuízos na rotina e sofrimento emocional.

Dependendo da situação, também podem ser avaliadas outras condições de saúde que estejam presentes.

O Ministério da Saúde disponibiliza ainda um autoteste gratuito pelo Meu SUS Digital para ajudar a pessoa a refletir sobre sua relação com jogos e apostas.

É importante fazer uma distinção: esse autoteste funciona como instrumento de rastreio e orientação. Ele não fornece diagnóstico e não substitui a avaliação de um profissional de saúde.

A própria plataforma também permite solicitar teleatendimento em saúde mental.

Não é preciso esperar a situação chegar ao limite

Em muitos casos, existe a ideia de que é preciso esperar algo grave acontecer para buscar ajuda.

Uma dívida muito alta.

Uma crise familiar.

Um afastamento.

Ou uma perda importante.

Mas o cuidado pode começar antes.

Vale procurar orientação quando a pessoa percebe que está apostando por mais tempo ou gastando mais do que pretendia, quando já tentou reduzir e não conseguiu, quando começa a esconder esse comportamento ou quando os jogos passam a ocupar espaço excessivo nos pensamentos e na rotina.

Também merecem atenção alterações no sono, no humor, nos relacionamentos ou nas atividades que antes faziam parte do cotidiano.

Reconhecer que alguma coisa mudou já pode ser um motivo suficiente para conversar com alguém.

O que os afastamentos revelam?

Os dados do MTE mostram um crescimento importante, mas precisam ser interpretados dentro de seus limites.

Eles não permitem afirmar que o trabalho tenha provocado o transtorno.

Também não representam todas as pessoas que apresentam problemas relacionados aos jogos.

Existem trabalhadores que podem estar enfrentando dificuldades sem nunca terem solicitado um benefício previdenciário.

Outros podem ter buscado tratamento antes de precisar se afastar.

E existem aqueles que talvez ainda nem tenham procurado ajuda.

Por isso, o número de afastamentos mostra apenas a parte mais visível de um problema que pode começar muito antes.

Entre os trabalhadores com vínculos ativos analisados pelo MTE, 71% eram homens e 29% mulheres.

Mais do que traçar um perfil de quem pode desenvolver o transtorno, esses dados ajudam a compreender quem apareceu com maior frequência nos registros previdenciários daquele período.

Por que esse assunto também interessa às empresas?

Problemas de saúde não deixam de existir quando alguém inicia sua jornada de trabalho.

Dificuldades emocionais, familiares ou financeiras podem acompanhar qualquer pessoa e, em determinados momentos, repercutir também na rotina profissional.

Podem aparecer dificuldades de concentração, alterações de sono, irritabilidade, preocupação constante ou necessidade de se afastar para receber cuidados.

Isso não significa que o gestor possa concluir que determinado trabalhador apresenta transtorno do jogo.

Os mesmos comportamentos podem estar associados a inúmeras situações.

O papel da empresa não é investigar, diagnosticar ou monitorar a vida particular das pessoas.

É criar condições adequadas de trabalho, respeitar a privacidade e garantir que os trabalhadores saibam quais canais de acolhimento estão disponíveis caso precisem deles.

Essa diferença é importante.

Oferecer apoio não significa investigar quem precisa dele.

Como o RH pode abordar o tema sem invadir a privacidade?

Diagnósticos, históricos clínicos e outras informações relacionadas à saúde são dados pessoais sensíveis.

Por isso, iniciativas voltadas ao bem-estar não devem ser utilizadas para identificar quem aposta, quanto uma pessoa gasta ou se determinado trabalhador possui algum transtorno.

A comunicação pode ser feita de forma ampla.

O RH pode explicar quais canais existem, como funcionam, de que maneira podem ser acessados e quais são as condições de confidencialidade.

As lideranças também podem ser orientadas para saber como agir diante de situações delicadas.

Isso não significa ensinar gestores a reconhecer diagnósticos.

Significa prepará-los para escutar sem julgamento, respeitar limites e indicar os canais adequados quando um trabalhador pedir ajuda.

Onde procurar ajuda?

O SUS possui diferentes portas de entrada para pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas.

A Unidade Básica de Saúde (UBS) pode realizar acolhimento e avaliação inicial.

Quando necessário, a pessoa pode ser encaminhada ou procurar atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e em outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial.

Também é possível buscar atendimento pelo Meu SUS Digital.

Na plataforma, a pessoa pode realizar o autoteste ou solicitar teleatendimento em saúde mental.

O serviço também pode atender familiares e pessoas da rede de apoio, conforme as condições disponibilizadas pelo Ministério da Saúde.

Ou seja: não é preciso ter um diagnóstico pronto para procurar ajuda.

O próprio atendimento pode ser o primeiro passo para entender o que está acontecendo e qual cuidado é mais adequado.

E onde entra a gestão dos riscos psicossociais?

É importante não misturar duas situações diferentes.

A NR-1 estabelece requisitos para o gerenciamento dos riscos ocupacionais e inclui fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.

Mas isso não significa que o transtorno do jogo se torne automaticamente um risco ocupacional porque existe um trabalhador enfrentando essa condição.

A análise dos fatores psicossociais deve observar as condições e características da própria organização do trabalho.

Questões como exigências da atividade, organização dos processos, relações profissionais, carga de trabalho e outras situações decorrentes do ambiente laboral fazem parte dessa análise.

Já o transtorno do jogo pode ter diferentes origens e exigir acompanhamento específico de saúde.

As duas frentes podem coexistir.

A empresa pode manter uma boa gestão dos fatores psicossociais relacionados ao trabalho e, ao mesmo tempo, disponibilizar recursos de acolhimento para questões emocionais que tenham diferentes origens.

Uma iniciativa não substitui a outra.

O acesso ao cuidado também precisa ser pensado

Às vezes, perceber que alguma coisa não está bem é apenas o primeiro obstáculo.

Depois vêm outras perguntas.

Onde procurar ajuda?

Com quem conversar?

O atendimento é confidencial?

É preciso pagar?

Preciso estar em uma situação grave para procurar apoio?

Quando essas respostas não estão claras, pedir ajuda pode ser adiado.

Por isso, disponibilizar um benefício de saúde emocional é apenas parte do caminho.

É preciso que as pessoas saibam que ele existe, entendam como utilizá-lo e sintam que podem acessar o serviço sem exposição.

O cuidado se torna mais efetivo quando existe menos distância entre perceber que precisa de ajuda e conseguir encontrá-la.

O que a empresa pode fazer na prática?

Tornar os canais de apoio conhecidos

Não basta apresentar um benefício uma única vez.

Os trabalhadores precisam saber como acessar, quando utilizar e como funciona a confidencialidade do serviço.

Uma comunicação simples pode fazer diferença justamente no momento em que alguém decide procurar ajuda.

Preparar as lideranças para encaminhar, não diagnosticar

Gestores não precisam assumir o papel de profissionais de saúde.

Precisam conhecer os canais disponíveis e saber acolher uma conversa sem julgamento ou investigação.

Divulgar informações confiáveis

Explicar onde estão UBS, CAPS, Meu SUS Digital e outros recursos disponíveis ajuda quem talvez não saiba por onde começar.

Manter uma gestão adequada dos riscos relacionados ao trabalho

O cuidado com a saúde mental também passa pela análise das condições de trabalho e pelo gerenciamento adequado dos fatores de risco psicossociais relacionados à atividade.

Como o Elos bem estar pode contribuir?

O cuidado com a saúde emocional não precisa começar apenas quando uma situação se torna grave.

Na Ativa Medicina, oferecemos o Elos bem estar, uma solução de acolhimento psicológico on-line que busca facilitar o acesso ao apoio emocional.

Os trabalhadores podem contar com um canal de acolhimento de forma acessível e com atenção ao sigilo.

Para as empresas, é uma possibilidade de ampliar os recursos de cuidado oferecidos às pessoas e reduzir algumas das barreiras que existem entre reconhecer que precisa de ajuda e conseguir conversar com um profissional.

É importante reforçar que o Elos bem estar não substitui, por si só, o tratamento especializado do transtorno do jogo ou outros acompanhamentos clínicos que possam ser necessários.

Cada situação precisa ser avaliada individualmente, e o profissional responsável pelo atendimento poderá orientar os encaminhamentos adequados.

Os dados sobre afastamentos mostram o que aconteceu quando alguns casos já haviam produzido impactos importantes.

Mas talvez a reflexão mais relevante esteja antes desse ponto:

Quantas pessoas podem estar precisando de ajuda antes que o problema chegue ao afastamento?

Quando o jogo deixa de ser escolha, o cuidado precisa estar ao alcance.

Converse com a Ativa e conheça o Elos bem estar, uma solução para ampliar o acesso ao acolhimento psicológico na sua empresa.

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