NR-1 entrou em vigor: multas sobre Riscos Psicossociais terão fase orientativa por 90 dias, mas a obrigação já começou

A nova fase da NR-1 começou oficialmente em 26 de maio de 2026. A partir desta data, os fatores de Riscos Psicossociais relacionados ao trabalho passam a integrar, de forma expressa, o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o GRO, e devem ser considerados dentro da lógica do PGR, ao lado dos demais riscos ocupacionais já avaliados pelas empresas.

A notícia publicada pela Folha de S.Paulo trouxe um ponto que gerou muitas dúvidas entre empresas, RHs e profissionais de SST: as multas relacionadas às novas exigências da NR-1 terão uma fase orientativa de 90 dias. Durante esse período, a fiscalização tende a priorizar orientação, instrução e notificação, aplicando o critério da dupla visita. Mas isso não significa que a obrigação foi cancelada, suspensa ou prorrogada. A norma já está valendo.

Na prática, a empresa que ainda não iniciou o processo ganhou uma janela curta para organizar evidências, revisar documentos, estruturar metodologia, ouvir trabalhadores, identificar riscos e transformar diagnóstico em plano de ação.

O ponto central é este: a multa pode ter fase orientativa, mas a responsabilidade da empresa já começou.

O que mudou na NR-1?

A NR-1 estabelece as disposições gerais, os campos de aplicação, os termos e as diretrizes para o gerenciamento de riscos ocupacionais e para as medidas de prevenção em Segurança e Saúde no Trabalho. Com a nova redação, em vigor desde 26 de maio de 2026, os fatores de riscos Psicossociais passam a ser tratados dentro da gestão formal de riscos ocupacionais.

Isso significa que temas como sobrecarga, pressão excessiva, assédio, conflitos interpessoais, falta de clareza de função, ausência de apoio da liderança, baixa autonomia, falhas de comunicação e mudanças mal conduzidas deixam de ser apenas pautas de clima organizacional ou de RH.

Eles passam a fazer parte da gestão de SST.

Essa mudança exige que a empresa avalie como o trabalho é organizado, como as relações acontecem, como as lideranças conduzem as equipes e quais condições podem favorecer adoecimento, afastamentos, conflitos, acidentes, queda de desempenho e passivos trabalhistas.

Riscos Psicossociais não são diagnóstico individual

Um dos principais erros na interpretação da NR-1 é tratar os Piscos Psicossociais como se a empresa precisasse diagnosticar a saúde mental de cada trabalhador.

Não é esse o foco.

A avaliação dos fatores psicossociais deve observar as condições de trabalho e os elementos da organização que podem gerar ou intensificar riscos. O olhar está sobre o ambiente, a gestão, os processos, a carga de trabalho, os fluxos de comunicação, as relações interpessoais e as formas de cobrança.

O próprio Manual do GRO/PGR do MTE cita como exemplos de fatores de Risco Psicossociais relacionados ao trabalho situações como excesso de demandas, assédio de qualquer natureza, conflitos, ausência de suporte, falta de clareza nas responsabilidades e outras condições ligadas à organização do trabalho.

Ou seja: o objetivo não é expor o trabalhador, invadir sua intimidade ou transformar o processo em uma análise clínica individual. O objetivo é identificar fatores de risco no trabalho e definir medidas para prevenir, reduzir ou controlar esses riscos.

O que significa a fase orientativa de 90 dias?

A fase orientativa de 90 dias significa que, nos primeiros três meses de vigência das novas exigências, a atuação da fiscalização tende a priorizar orientação, instrução e notificação das empresas.

Esse período está relacionado ao critério da dupla visita, mecanismo em que a primeira ação fiscal tem caráter prioritariamente orientador em determinadas situações, especialmente quando há novas disposições normativas. A própria Folha destacou que, por três meses, a primeira visita deve ocorrer com foco em orientação, sem sanções administrativas automáticas.

Mas esse ponto precisa ser interpretado com responsabilidade.

A fase orientativa não é uma prorrogação da NR-1.
A fase orientativa não elimina a obrigação de adequação.
A fase orientativa não autoriza a empresa a deixar o tema para depois.

Ela deve ser entendida como uma janela de preparação final para que as empresas demonstrem movimento, organização, método e responsabilidade técnica.

Se a fiscalização chegar, a empresa precisa mostrar que está conduzindo o processo. Isso inclui documentação, critérios adotados, registros, cronograma, responsáveis, evidências de avaliação e plano de ação.

A NR-1 exige gestão, não apenas documento

Um dos pontos mais importantes reforçados pelo MTE é que a gestão de riscos ocupacionais não se resume à elaboração de documentos. Trata-se de um processo contínuo, que exige coordenação de ações, implementação de medidas de prevenção e acompanhamento por parte da empresa.

Isso muda completamente a lógica da adequação.

Não basta aplicar uma pesquisa, gerar um relatório e arquivar o material. Também não basta incluir uma frase genérica no PGR dizendo que a empresa “observa os Piscos Psicossociais”.

A empresa precisa demonstrar que existe um processo estruturado.

Esse processo deve permitir a identificação dos perigos, a avaliação dos riscos, a classificação das prioridades, a definição das medidas de prevenção, a indicação de responsáveis, o acompanhamento das ações e a atualização dos registros sempre que necessário.

Em outras palavras: a adequação precisa sair do papel e entrar na gestão.

Avaliar Riscos Psicossociais exige método, não improviso

A entrada dos fatores psicossociais no GRO/PGR exige mais do que uma escuta informal ou uma pesquisa genérica de clima.

Para que a empresa tenha segurança técnica, os riscos precisam ser avaliados com método, critério e rastreabilidade. Isso significa aplicar uma abordagem estruturada, com finalidade clara, perguntas coerentes, proteção das informações, análise técnica e integração dos resultados ao plano de prevenção.

Quando o assunto é saúde mental no trabalho, a falta de método pode gerar dois problemas graves.

O primeiro é transformar uma obrigação técnica em uma pesquisa superficial, sem capacidade real de orientar ações.

O segundo é produzir informações sensíveis sem clareza sobre finalidade, confidencialidade, análise e uso dos dados.

Por isso, a avaliação precisa ser conduzida com responsabilidade. Não basta perguntar se as pessoas estão bem. É preciso entender quais aspectos da organização do trabalho podem estar contribuindo para sobrecarga, conflitos, insegurança, baixa autonomia, falhas de comunicação, assédio, pressão excessiva ou adoecimento.

A empresa precisa sair do achismo e entrar em uma lógica de gestão.

Por que a metodologia faz diferença na adequação à NR-1?

A escolha da metodologia é uma etapa estratégica da adequação.

Uma avaliação sem estrutura pode gerar dados frágeis, interpretações equivocadas e planos de ação pouco efetivos. Já uma metodologia reconhecida ajuda a empresa a organizar evidências, demonstrar responsabilidade na gestão e construir respostas mais consistentes diante das exigências da NR-1.

A metodologia precisa permitir que a empresa identifique fatores de risco relacionados ao trabalho, analise os resultados, priorize ações e integre as informações ao GRO/PGR.

Isso é importante porque os Riscos Psicossociais não podem ser tratados de forma genérica.

Uma mesma empresa pode ter setores com realidades muito diferentes. Um time pode sofrer com excesso de demanda. Outro, com conflitos interpessoais. Outro, com falta de clareza de função. Outro, com mudanças frequentes e comunicação falha. Sem método, esses sinais se misturam e a empresa perde a capacidade de agir com precisão.

Com método, a gestão fica mais clara.

A empresa consegue entender onde estão os maiores pontos de atenção, quais fatores precisam de resposta imediata, quais ações devem ser priorizadas e como acompanhar a evolução do cenário ao longo do tempo.

Por que a Ativa utiliza a metodologia HSE-IT?

A Ativa utiliza a HSE-IT, sigla para Health and Safety Executive Indicator Tool, uma ferramenta desenvolvida pelo HSE, órgão britânico de referência em saúde e segurança no trabalho.

A ferramenta é composta por 35 questões e está centrada em seis áreas fundamentais do desenho e da organização do trabalho: demandas, controle, apoio, relacionamentos, papel e mudanças.

Essas dimensões ajudam a compreender fatores que podem contribuir para estresse ocupacional e outros Riscos Psicossociais relacionados ao trabalho.

Demandas estão relacionadas à carga, ao ritmo, à pressão, aos prazos e à intensidade das atividades.

Controle está relacionado à autonomia do trabalhador sobre a forma como realiza suas tarefas.

Apoio está relacionado ao suporte oferecido por lideranças, colegas e pela própria organização.

Relacionamentos envolvem convivência, conflitos, respeito, assédio, violência e qualidade das interações no ambiente de trabalho.

Papel está relacionado à clareza sobre responsabilidades, expectativas, atribuições e limites da função.

Mudanças observam como alterações organizacionais são comunicadas, conduzidas e assimiladas pelas equipes.

Esse modelo permite que a empresa avalie os Riscos Psicossociais com base em fatores ligados ao trabalho, e não em diagnósticos individuais de saúde mental.

As perguntas seguem uma estrutura técnica e padronizada, o que fortalece a confiabilidade da aplicação e dos resultados. Elas não são criadas de forma aleatória, nem adaptadas conforme a conveniência da empresa. Essa padronização é importante porque permite uma leitura mais segura, comparável e coerente dos fatores avaliados.

Na prática, a HSE-IT ajuda a empresa a transformar percepção em dado, dado em análise e análise em plano de ação.

A avaliação precisa se transformar em plano de ação

A aplicação da metodologia é uma etapa importante, mas não encerra o processo.

Depois da avaliação, os resultados precisam ser analisados tecnicamente e conectados ao gerenciamento de riscos ocupacionais da empresa. É essa integração que permite transformar o diagnóstico em medidas reais de prevenção.

O próprio MTE reforça que documentos obrigatórios da NR-1 incluem o inventário de riscos, o plano de ação e os critérios adotados no GRO, como critérios de severidade, probabilidade, níveis de risco, classificação e tomada de decisão.

Por isso, o plano de ação deve responder a perguntas práticas:

O que foi identificado?
Onde o risco aparece com mais força?
Qual é a gravidade do cenário?
Quais medidas serão adotadas?
Quem será responsável?
Qual é o prazo?
Como a empresa vai acompanhar a efetividade das ações?
Como os trabalhadores serão orientados?
Como as lideranças serão preparadas?

Sem esse desdobramento, a empresa corre o risco de ter apenas um retrato do problema, sem demonstrar gestão.

Lideranças têm papel central na prevenção

A adequação à NR-1 não depende apenas da área de SST ou do RH.

As lideranças têm papel decisivo porque muitos fatores psicossociais passam pela forma como o trabalho é conduzido no dia a dia. Cobranças excessivas, metas sem critério, comunicação agressiva, conflitos ignorados, ausência de apoio, mudanças mal explicadas e falta de clareza nas responsabilidades podem se tornar fontes importantes de risco.

Por isso, preparar gestores é parte essencial da resposta da empresa.

Lideranças precisam saber identificar sinais de risco, conduzir conversas difíceis, orientar equipes, lidar com conflitos, evitar condutas inadequadas e acionar os canais corretos quando necessário.

Treinamento de liderança não é apenas uma ação educativa. É uma medida preventiva.

Elos Bem-Estar: apoio psicológico como parte da resposta da empresa

Além da avaliação dos riscos e da integração ao GRO/PGR, empresas também precisam olhar para as medidas de apoio aos trabalhadores.

O Elos Bem-Estar entra nesse contexto como uma solução de cuidado acessível, conectada e humana, oferecendo apoio psicológico online aos trabalhadores.

É importante entender o papel correto desse tipo de solução.

O apoio psicológico não substitui a gestão dos Riscos Psicossociais. Ele complementa a estratégia da empresa, oferecendo suporte para quem precisa de cuidado, ao mesmo tempo em que a organização atua na prevenção dos fatores de risco relacionados ao trabalho.

Essa combinação fortalece a resposta corporativa: de um lado, a empresa identifica e gerencia os riscos na origem; de outro, amplia o acesso ao cuidado em saúde mental para os trabalhadores.

O que sua empresa deve fazer agora?

A fase orientativa de 90 dias deve ser usada com urgência, método e responsabilidade.

O primeiro passo é revisar se o PGR atual contempla os fatores psicossociais de forma adequada ou se ainda está limitado aos riscos tradicionais.

Depois, a empresa precisa estruturar a avaliação, aplicar metodologia reconhecida, garantir participação dos trabalhadores, analisar os resultados com apoio técnico e transformar os achados em plano de ação.

Também é necessário preparar lideranças e organizar evidências. A empresa precisa conseguir demonstrar que está atuando de forma preventiva, documentada e coerente.

Entre as principais ações para este momento estão:

Revisar o GRO/PGR, verificando se os fatores psicossociais estão contemplados.

Aplicar uma metodologia estruturada, capaz de avaliar fatores ligados à organização do trabalho.

Garantir confidencialidade e segurança das informações, especialmente por envolver percepções dos trabalhadores.

Analisar os resultados tecnicamente, evitando interpretações superficiais ou conclusões sem lastro.

Integrar os achados ao inventário de riscos e ao plano de ação, quando aplicável.

Definir medidas de prevenção, com responsáveis, prazos e acompanhamento.

Treinar lideranças, preparando gestores para prevenir, identificar e agir diante de situações de risco.

Oferecer canais de apoio, fortalecendo o cuidado com os trabalhadores e a resposta institucional da empresa.

Adequação não é só evitar multa. É proteger a empresa.

A entrada em vigor da NR-1 marca uma mudança importante na forma como o Brasil passa a tratar os fatores psicossociais dentro da segurança e saúde no trabalho.

A discussão não é apenas sobre multa.

É sobre prevenção, conformidade, redução de passivos, proteção jurídica, produtividade, clima organizacional, retenção de talentos e sustentabilidade das relações de trabalho.

Empresas que tratam o tema apenas como uma obrigação documental tendem a ficar expostas. Empresas que estruturam o processo com método, evidência e plano de ação ganham mais segurança para responder à fiscalização, proteger seus trabalhadores e fortalecer sua gestão.

A Ativa apoia empresas nesse processo com soluções completas para adequação à NR-1: aplicação de metodologia estruturada para Riscos Psicossociais, integração ao GRO/PGR, treinamento de lideranças e apoio psicológico acessível aos trabalhadores por meio do Elos Bem-Estar.

O prazo chegou. Agora, sua empresa precisa mostrar o que está fazendo para prevenir, orientar e gerir os Riscos Psicossociais no trabalho.

Fale com a Ativa e prepare sua empresa com método, segurança e respaldo técnico.

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