Nos últimos dias, ganhou repercussão na mídia o caso envolvendo a atriz Isis Valverde e uma ex-funcionária doméstica, que alega ter enfrentado jornadas extensas de trabalho e intervalos reduzidos para descanso e alimentação. Entre os pontos discutidos publicamente está a alegação de que a trabalhadora teria usufruído de apenas 20 minutos de intervalo para almoço durante parte da relação de trabalho.
Independentemente do mérito da ação ou da definição de responsabilidades, que cabem exclusivamente à Justiça, o episódio chama atenção para um tema que vem ganhando relevância crescente dentro das organizações: a relação entre organização do trabalho, Saúde Mental, Bem-Estar e Riscos Psicossociais.
Mais do que analisar um caso específico, o momento serve para refletir sobre como jornadas inadequadas, pressão excessiva, ausência de pausas e falhas de gestão podem gerar impactos relevantes para trabalhadores e empresas.
Quando a rotina de trabalho se torna um fator de risco
Em muitos casos, problemas relacionados à Saúde Mental não surgem de forma repentina. Eles costumam ser resultado de uma combinação de fatores que se acumulam ao longo do tempo.
Jornadas extensas, dificuldade de desconexão, ausência de períodos adequados de recuperação, excesso de demandas, comunicação ineficiente e falta de suporte organizacional podem aumentar significativamente os níveis de desgaste físico e emocional.
Quando esses elementos passam a fazer parte da rotina, a empresa deixa de lidar apenas com questões operacionais e passa a enfrentar potenciais Riscos Psicossociais relacionados ao trabalho.
Os reflexos costumam aparecer em diferentes indicadores organizacionais:
Redução da produtividade;
Aumento de erros operacionais;
Crescimento do absenteísmo;
Maior rotatividade;
Conflitos interpessoais;
Queda no engajamento;
Afastamentos relacionados à Saúde Mental;
Ampliação da exposição a passivos trabalhistas.
Em muitos casos, esses sinais surgem muito antes de qualquer denúncia, fiscalização ou ação judicial.
O que a NR-1 trouxe para essa discussão
A atualização da NR-1 reforçou a necessidade de as empresas ampliarem sua visão sobre os fatores que podem afetar a saúde dos trabalhadores.
Além dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes, os Riscos Psicossociais relacionados ao trabalho passaram a receber atenção ainda maior dentro do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
Isso significa que fatores ligados à forma como o trabalho é organizado também devem ser observados pelas empresas.
Entre eles:
Sobrecarga de trabalho;
Jornadas excessivas;
Pressão constante por resultados;
Falta de clareza sobre funções;
Baixa autonomia;
Ausência de suporte da liderança;
Conflitos recorrentes;
Falhas de comunicação;
Exigências emocionais elevadas.
O objetivo não é monitorar aspectos da vida pessoal dos trabalhadores, mas compreender como a própria dinâmica organizacional pode influenciar a saúde e o Bem-Estar das equipes.
O papel da liderança na prevenção dos Riscos Psicossociais
Quando se fala em Saúde Mental no trabalho, um dos fatores mais relevantes é a atuação das lideranças.
Gestores são responsáveis por traduzir metas, organizar demandas, distribuir recursos, acompanhar resultados e servir como ponto de apoio para as equipes.
Por isso, falhas de liderança podem potencializar riscos já existentes.
Lideranças sem preparo adequado podem contribuir para cenários de:
Sobrecarga de atividades;
Falta de priorização;
Comunicação inadequada;
Pressão excessiva;
Conflitos internos;
Desgaste emocional das equipes.
Por outro lado, líderes preparados conseguem identificar sinais precoces de desgaste, promover diálogo, ajustar expectativas e fortalecer um ambiente de trabalho mais saudável.
Nesse contexto, treinamentos de liderança deixam de ser apenas ações de desenvolvimento e passam a integrar estratégias de prevenção de riscos organizacionais.
Saúde Mental não é apenas um benefício corporativo
Muitas empresas ainda associam Saúde Mental exclusivamente a programas de apoio psicológico ou benefícios voltados ao Bem-Estar.
Essas iniciativas são importantes, mas não substituem a necessidade de analisar as causas que podem estar gerando desgaste dentro da organização.
Uma empresa pode oferecer benefícios relacionados à Saúde Mental e, ao mesmo tempo, manter jornadas inadequadas, processos desorganizados, metas incompatíveis ou lideranças despreparadas.
A gestão dos Riscos Psicossociais exige uma abordagem mais ampla, envolvendo diagnóstico, documentação, acompanhamento e melhoria contínua dos processos de trabalho.
Como as empresas podem reduzir sua exposição a riscos
A prevenção passa por uma combinação de ações técnicas e organizacionais.
Entre elas:
Revisão periódica do PGR;
Avaliação dos fatores relacionados à organização do trabalho;
Capacitação de lideranças;
Monitoramento de indicadores de Saúde Mental;
Fortalecimento da comunicação interna;
Estruturação de canais de escuta;
Integração entre SST, RH e gestores;
Desenvolvimento de ações voltadas ao Bem-Estar dos trabalhadores.
Empresas que adotam uma abordagem preventiva conseguem identificar problemas mais cedo e reduzir significativamente sua exposição a passivos trabalhistas, afastamentos e impactos reputacionais.
O principal aprendizado para as empresas
Casos que ganham repercussão pública raramente surgem de um único evento isolado. Normalmente eles trazem à tona discussões mais amplas sobre cultura organizacional, gestão de pessoas e condições de trabalho.
Independentemente do desfecho do caso envolvendo Isis Valverde, o episódio reforça uma mensagem importante para as organizações: Saúde Mental, Bem-Estar e gestão dos Riscos Psicossociais deixaram de ser temas secundários.
Hoje, fazem parte da estratégia de prevenção, da sustentabilidade dos negócios e da capacidade de construir ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e produtivos.
Mais do que evitar passivos, investir na gestão dos Riscos Psicossociais é uma forma de proteger pessoas, fortalecer lideranças e construir organizações mais preparadas para os desafios atuais.
O melhor momento para agir é antes que o problema apareça
A gestão dos Riscos Psicossociais não deve começar após uma denúncia, um afastamento ou uma ação trabalhista. Ela deve fazer parte da estratégia de prevenção da empresa.
A Ativa apoia organizações na construção de ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e preparados para os desafios da NR-1, por meio de soluções em Medicina e Segurança do Trabalho, desenvolvimento de lideranças e iniciativas voltadas ao Bem-Estar e à Saúde Mental.
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