Janeiro é tradicionalmente associado a recomeços — inclusive na forma como as empresas cuidam da saúde de suas equipes. O Janeiro Branco é um movimento brasileiro de conscientização sobre saúde mental, criado em 2014 a partir da iniciativa de profissionais da psicologia. O mês simboliza uma “folha em branco”, ligada a planejamento e mudanças de comportamento, reforçando a importância do diálogo e da quebra de tabus. No contexto corporativo, esse movimento passa a ser um ponto de partida para reflexões mais amplas sobre bem-estar, relações de trabalho e fatores psicossociais, ajudando empresas a repensarem práticas e políticas embasadas nas exigências legais e nos desafios atuais da saúde ocupacional.
Em um período marcado por pausas essenciais, como o 01/01, reconhecido como dia de descanso coletivo, o início do ano convida empresas a rever processos e práticas de gestão de pessoas. Ao longo de janeiro — que também inclui datas relevantes para os profissionais da saúde, como o 20 de janeiro, Dia do Farmacêutico — o mês se consolida como um ponto de virada para alinhar cultura organizacional, revisar práticas de liderança e estruturar ações preventivas que sustentem produtividade, engajamento e retenção. Falar de saúde mental hoje não é discurso institucional: é uma decisão estratégica com impacto direto nos resultados e na sustentabilidade do negócio.
Novas diretrizes e por que se tornam obrigatórias
A partir de maio de 2026, entram em vigor de forma obrigatória as novas diretrizes da NR-1, conforme a Portaria MTE nº 1.419/2024, que consolidam o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e ampliam o escopo do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Essas diretrizes reforçam uma mudança de postura na gestão de saúde e segurança do trabalho: deixam de tratar os riscos apenas de forma reativa e passam a exigir uma atuação preventiva, contínua e documentada. Nesse contexto, os riscos psicossociais passam a ter o mesmo peso técnico e legal dos riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos, devendo ser identificados, avaliados, registrados e controlados.
Na prática, essa obrigatoriedade se justifica porque os impactos dos riscos psicossociais já são amplamente mensuráveis e afetam diretamente pessoas e empresas. Por isso, o PCMSO precisa estar integrado ao PGR, utilizando a medicina ocupacional não apenas para cumprir exames legais, mas como uma ferramenta ativa de prevenção, monitoramento e tomada de decisão. Segundo a Organização Mundial da Saúde, transtornos mentais e comportamentais geram uma perda estimada de US$ 1 trilhão por ano em produtividade no mundo. No Brasil, dados do INSS mostram crescimento contínuo dos afastamentos por ansiedade, depressão e burnout. Esses números ajudam a explicar por que as novas diretrizes se tornam obrigatórias: ignorar riscos psicossociais deixou de ser apenas uma falha de gestão e passou a representar um risco real para a sustentabilidade, os resultados e a conformidade legal das empresas.
Riscos Psicossociais: identificação, avaliação e exigências legais
A NR-1 deixa claro que riscos psicossociais não podem ser tratados de forma subjetiva ou informal. Eles devem seguir a mesma lógica técnica aplicada aos demais riscos ocupacionais, com critérios definidos, registros e ações de controle. Esse processo envolve, entre outros pontos:
- análise da organização do trabalho (carga, ritmo, jornadas e metas);
- avaliação do ambiente psicossocial (relações interpessoais, conflitos, comunicação e liderança);
- identificação de situações de assédio, pressão excessiva ou falta de autonomia;
- escuta estruturada dos trabalhadores e participação ativa no processo;
- registro formal desses riscos no inventário do PGR;
- definição de medidas de controle, acompanhamento e reavaliação periódica.
Essas informações precisam alimentar diretamente o PCMSO, orientando exames, acompanhamentos clínicos, indicadores de saúde e ações preventivas. Na prática, isso significa que segurança do trabalho e medicina ocupacional passam a atuar de forma integrada, com base em dados reais do ambiente organizacional e na atuação multiprofissional em saúde ocupacional.
A gestão dos riscos psicossociais não é opcional. Ela decorre diretamente da NR-1, Norma Regulamentadora prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). As multas aplicáveis ao descumprimento das Normas Regulamentadoras fazem parte do sistema de multas administrativas da legislação trabalhista e não possuem valor fixo. Na prática, os valores variam conforme o porte da empresa, o número de trabalhadores, a gravidade da infração e a reincidência. Em situações de falhas na gestão de riscos, ausência de integração entre PGR e PCMSO ou inexistência de ações preventivas comprováveis, as penalidades podem ultrapassar R$ 6 mil, além da exigência de adequação de processos e maior exposição a passivos trabalhistas. Por isso, manter programas atualizados e integrados não é apenas uma medida preventiva, mas uma estratégia de proteção jurídica e organizacional.
Cultura resiliente, bem-estar e o papel da Ativa nessa transformação
Mais do que atender à legislação, empresas que se antecipam às exigências da NR-1 constroem uma cultura organizacional resiliente, capaz de lidar melhor com pressão, mudanças e desafios constantes. Programas de bem-estar integrados à saúde ocupacional mostram resultados concretos: estudos da Harvard Business Review e da Deloitte apontam que organizações com estratégias estruturadas de saúde mental podem alcançar ROI entre 2x e 4x, reduzindo absenteísmo, rotatividade e custos indiretos.
É nesse contexto que a Ativa atua de forma estratégica. Além da gestão integrada de segurança do trabalho e medicina ocupacional, a Ativa promove o WSST – Workshop de Saúde e Segurança do Trabalho, que leva conhecimento técnico e atualizado para empresas em todo o país. Em 2025, o WSST já abordou temas centrais como a NR-1 e os riscos psicossociais, reforçando a importância da atuação multiprofissional na construção de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis. Quando bem integradas, segurança e medicina ocupacional deixam de ser custo e passam a ser proteção, estratégia e valor para o negócio.
Se a sua empresa quer iniciar 2026 com conformidade legal, processos bem estruturados e uma gestão de saúde ocupacional alinhada às novas exigências, a Ativa pode ajudar. Atualizamos seu PCMSO, integramos saúde mental ao PGR, capacitamos equipes e acompanhamos sua empresa ao longo de todo o ano. Fale com nossa equipe e transforme prevenção em resultado.
Fontes
Organização Mundial da Saúde (OMS) – Saúde mental e produtividade
Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) – NR-1 e Portaria nº 1.419/2024
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – Normas Regulamentadoras
INSS – Dados sobre afastamentos por transtornos mentais
Harvard Business Review – Workplace Mental Health & ROI
Deloitte – Mental Health and Well-being at Work
