A ergonomia no ambiente corporativo vai muito além da adoção de uma postura correta. Trata-se de uma estratégia essencial para prevenir doenças ocupacionais, melhorar o desempenho e promover o bem-estar físico, mental e emocional dos trabalhadores. Ambientes mal planejados, mobiliários inadequados, ausência de pausas e organização ineficiente das tarefas podem provocar não apenas dores musculares e distúrbios osteomusculares, mas também esgotamento mental, estresse e ansiedade.
Segundo o Observatório Digital de Saúde e Segurança no Trabalho, entre 2012 e 2022, mais de 3,7 milhões de afastamentos foram registrados devido a Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). A situação é agravada quando o ambiente profissional também impõe pressões psicológicas, sobrecarga emocional e falta de apoio organizacional, o que compromete a saúde mental e a qualidade de vida no trabalho.
Um estudo do Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (NIOSH) revelou que trabalhadores expostos a condições inadequadas têm 40% mais chances de desenvolver transtornos mentais, como fadiga crônica e distúrbios de ansiedade. Para as mulheres, que muitas vezes acumulam múltiplas jornadas, esses impactos são ainda mais intensos.
Fatores Psicossociais: O que muda a partir de maio?
A partir de maio de 2025, os riscos psicossociais ganham um espaço próprio e obrigatório dentro dos programas de gestão de riscos ocupacionais. Embora esse tipo de avaliação já fosse possível em laudos de ergonomia – especialmente nas análises organizacionais e cognitivas –, agora os fatores psicossociais passam a ser tratados com destaque específico, conforme orientações técnicas e jurídicas atualizadas no escopo da NR-01 (Norma Regulamentadora de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais – GRO).
A inclusão obrigatória dos riscos psicossociais nos documentos do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e nos relatórios de acompanhamento visa ampliar a proteção à saúde mental dos trabalhadores, identificando de forma estruturada fatores estressores associados a:
- Demandas do trabalho
- Relacionamento interpessoal
- Atividades da função
- Controle sobre o trabalho
- Apoio entre colegas de trabalho
- Apoio da gestão
- Comunicação de mudanças
- Excesso de carga de trabalho
- Ritmo e intensidade da produção
- Falta de autonomia
- Assédio moral ou organizacional
- Pressão por metas desumanas
- Falta de reconhecimento e apoio
Essa nova exigência regulamentar está alinhada com os princípios da Organização Mundial da Saúde (OMS), que classifica os transtornos mentais relacionados ao trabalho como uma das principais causas de afastamentos laborais no mundo. Assim, empresas que desejam estar em conformidade e valorizar verdadeiramente a qualidade de vida dos seus colaboradores devem integrar a gestão psicossocial como uma prática permanente, e não apenas pontual.
Ergonomia Física, Organizacional e Cognitiva: Um Tripé de Saúde e Produtividade
A ergonomia deve ser compreendida de forma ampla e integrada. A ergonomia física atua diretamente no ajuste do mobiliário, layout e movimentação do corpo. Já a ergonomia organizacional e a ergonomia cognitiva focam na gestão das tarefas, nas relações interpessoais, nos processos de decisão e na carga mental exigida pelo trabalho. Quando bem aplicadas, essas estratégias podem prevenir o adoecimento, aumentar a satisfação, reduzir o turnover e o absenteísmo.
É fundamental compreender que criar um ambiente saudável é uma responsabilidade coletiva, que exige o engajamento da liderança, das equipes de saúde e segurança, e dos próprios colaboradores. Medidas simples, como pausas ativas, feedbacks positivos, treinamentos e ajustes nos postos de trabalho fazem toda a diferença.
Segurança, Saúde e Bem-Estar como Diferencial Estratégico
As datas como o Dia Mundial da Saúde (07 de abril) e o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho (28 de abril) são importantes marcos para reforçar o compromisso com ambientes corporativos mais saudáveis. No entanto, a saúde ocupacional e mental deve ser valorizada o ano todo. Empresas que investem em ergonomia e na gestão dos fatores psicossociais não apenas reduzem afastamentos, como também constroem uma cultura organizacional mais forte, humana e produtiva.
Se sua empresa busca reduzir riscos, aumentar a produtividade, fortalecer a qualidade de vida dos colaboradores e ter retorno do investimento, conte com a Ativa. Nossa equipe está preparada para apoiar sua empresa com soluções completas em ergonomia, GRO e promoção da saúde mental no ambiente de trabalho.
Fontes:
- Observatório Digital de Saúde e Segurança no Trabalho
- Organização Mundial da Saúde (OMS)
- Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (NIOSH)
- Nota Técnica SEI nº 6510/2023/ME – Ministério do Trabalho e Emprego