Uma empresa pode manter seus equipamentos de proteção, documentos de Segurança do Trabalho e exames ocupacionais organizados e, ainda assim, precisar responder a uma pergunta importante: as exposições aos agentes químicos presentes na operação estão sendo adequadamente avaliadas e controladas?
Essa discussão ganhou espaço novamente com um comunicado publicado pela Fundacentro em 22 de outubro de 2026.
A instituição anunciou um encontro técnico sobre a proteção da saúde dos trabalhadores diante da exposição ao benzeno e a outras substâncias cancerígenas. O evento será realizado em novembro e reunirá especialistas para discutir pesquisas, medidas preventivas e estratégias de controle.
O anúncio não representa a criação de uma nova obrigação legal. Entretanto, reforça a importância de um assunto que já precisa fazer parte da Gestão de Saúde e Segurança do Trabalho de empresas expostas a esses agentes.
Afinal, algumas substâncias utilizadas ou presentes nos processos produtivos podem provocar consequências graves à saúde. E nem sempre seus efeitos são percebidos imediatamente.
Por que a exposição ao benzeno merece atenção?
O benzeno é uma substância química reconhecida como cancerígena para seres humanos.
Ele pode estar presente em determinadas atividades ligadas à indústria química, à produção e distribuição de combustíveis e a outros processos que envolvem produtos ou misturas contendo essa substância.
A exposição ocupacional ao benzeno está associada a efeitos prejudiciais à saúde, incluindo o desenvolvimento de determinados tipos de leucemia.
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a relação entre o trabalho e o desenvolvimento de câncer também envolve outros agentes químicos, físicos e biológicos.
Isso não significa que qualquer trabalhador que utilize produtos químicos esteja necessariamente exposto a agentes cancerígenos.
É necessário identificar as substâncias presentes, compreender suas características e avaliar as condições reais de exposição.
Para as empresas, o primeiro cuidado é saber exatamente quais riscos existem na operação. Serviços e Informações do Brasil
O que a Fundacentro anunciou em outubro de 2026?
No dia 22 de outubro, a Fundacentro divulgou a realização do encontro Proteção da Saúde do Trabalhador frente ao Benzeno e Cancerígenos.
A programação prevista para 23 de novembro abordará os impactos da exposição ocupacional a substâncias cancerígenas e as medidas que podem contribuir para sua prevenção.
Entre os assuntos estão os estudos relacionados à exposição ao benzeno, os riscos associados ao amianto, a contaminação por metais pesados e o Valor de Referência Tecnológico.
O encontro também discutirá a importância de estratégias capazes de reduzir a exposição e preservar a saúde dos trabalhadores.
Para empresários e gestores, a notícia é uma oportunidade de revisar um tema que precisa ser acompanhado continuamente: as condições ambientais das atividades desenvolvidas pela empresa.
O que é o Valor de Referência Tecnológico do benzeno?
O Valor de Referência Tecnológico, conhecido pela sigla VRT, é um conceito previsto no Anexo 13-A da NR-15, relacionado à prevenção da exposição ocupacional ao benzeno.
Ele corresponde a uma referência tecnológica para o controle da concentração dessa substância no ambiente de trabalho.
É importante compreender que o VRT não representa um limite abaixo do qual a exposição seja considerada livre de riscos à saúde.
Em nota técnica divulgada pela Fundacentro, especialistas defenderam a manutenção desse conceito e a redução do valor de referência de 1,0 ppm para 0,5 ppm ou menos.
Essa recomendação está relacionada à possibilidade de adotar tecnologias e medidas capazes de reduzir ainda mais a exposição ocupacional.
No entanto, é necessário diferenciar uma recomendação técnica de uma obrigação normativa.
Até a publicação oficial de eventual alteração, as empresas devem observar as disposições vigentes aplicáveis às suas atividades, incluindo os requisitos específicos relacionados ao benzeno. Serviços e Informações do Brasil
Quais Normas Regulamentadoras estão relacionadas à exposição a agentes químicos?
A prevenção das exposições ocupacionais envolve diferentes requisitos normativos.
NR-1: identificação e gerenciamento dos riscos
A NR-1 estabelece diretrizes para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
Por meio desse processo, a empresa deve identificar perigos, avaliar riscos e estabelecer medidas de prevenção adequadas às suas atividades.
Quando há exposição a agentes químicos, essas informações precisam ser consideradas no gerenciamento de riscos e na elaboração do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), observadas as condições de aplicação da norma.
O PGR contém, no mínimo, o Inventário de Riscos Ocupacionais e o Plano de Ação.
Esses documentos devem refletir a realidade da organização e orientar as medidas necessárias.
NR-9: avaliação e controle das exposições ocupacionais
A NR-9 trata da avaliação e do controle das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos.
Sua aplicação é especialmente relevante quando existem atividades com possibilidade de contato ou exposição a substâncias capazes de causar danos à saúde.
A avaliação pode envolver análise das atividades, identificação de fontes de exposição e, quando tecnicamente necessário, medições quantitativas.
Os resultados devem contribuir para a avaliação dos riscos e para a definição das medidas de prevenção.
A norma também contempla requisitos específicos relacionados à exposição ao benzeno em postos revendedores de combustíveis. Serviços e Informações do Brasil
NR-7: acompanhamento da saúde ocupacional
A NR-7 estabelece diretrizes para o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).
O programa deve considerar os riscos ocupacionais identificados e avaliados no PGR.
Nas atividades com exposição a agentes químicos, o acompanhamento médico precisa ser definido conforme os riscos existentes e os requisitos aplicáveis.
A realização de exames deve seguir critérios técnicos e normativos, sob responsabilidade médica.
Isso significa que não existe uma única lista de exames aplicável indistintamente a todos os trabalhadores que entram em contato com produtos químicos.
NR-15: requisitos específicos e insalubridade
A NR-15 estabelece disposições relacionadas às atividades e operações insalubres.
Seu Anexo 13-A contém requisitos específicos relacionados ao benzeno.
Por isso, empresas com atividades envolvendo essa substância precisam avaliar o enquadramento de suas operações e as exigências correspondentes.
A análise não deve considerar apenas a existência de um produto químico no ambiente, mas as características da atividade e as disposições normativas aplicáveis.
Identificar o agente químico é apenas o começo
Imagine uma empresa que utiliza diferentes solventes em atividades de manutenção.
Os produtos possuem composições distintas e podem apresentar riscos diferentes aos trabalhadores.
Antes de determinar quais equipamentos de proteção utilizar, a empresa precisa conhecer as substâncias envolvidas e as condições nas quais são manipuladas.
Isso exige observar os processos, consultar informações de segurança dos produtos e avaliar as possibilidades de exposição.
Dependendo do resultado, poderá ser necessário adotar medidas como substituição de produtos, mudanças nos processos e melhorias na ventilação ou nos sistemas de controle.
Também poderão ser necessárias medidas complementares de proteção individual.
O ponto central é que a gestão não deve começar e terminar no fornecimento de EPIs.
A seleção das medidas precisa considerar os riscos efetivamente identificados e seguir a hierarquia de prevenção estabelecida nas normas.
Como reduzir a exposição a agentes cancerígenos?
A prevenção precisa estar relacionada às características de cada operação.
Algumas medidas são especialmente importantes.
1. Identificar os agentes presentes
O primeiro passo é conhecer as substâncias utilizadas, produzidas ou liberadas durante as atividades.
Isso inclui analisar produtos, processos, matérias-primas e situações nas quais possam ocorrer exposições.
Também é importante consultar as informações de segurança disponibilizadas pelos fornecedores.
2. Avaliar as condições de exposição
Depois de identificar os agentes, a empresa precisa avaliar como os trabalhadores podem entrar em contato com eles.
A análise deve considerar as atividades realizadas, a frequência, a duração e as condições de exposição.
Quando necessário, avaliações quantitativas podem ajudar a determinar os níveis de exposição e orientar as medidas de controle.
3. Priorizar a eliminação ou substituição
Sempre que tecnicamente possível, eliminar o agente perigoso ou substituí-lo por alternativas menos nocivas é uma estratégia prioritária.
Também podem ser necessárias medidas de engenharia e alterações nos processos para reduzir a exposição.
4. Acompanhar a efetividade das medidas
A adoção de uma medida de controle não encerra a gestão.
É necessário verificar se ela está funcionando e se continua adequada às condições da operação.
Mudanças em equipamentos, produtos, ambientes ou procedimentos podem exigir novas avaliações.
5. Manter o acompanhamento da saúde
O PCMSO deve considerar os riscos ocupacionais identificados, estabelecendo o acompanhamento médico pertinente.
Além disso, os responsáveis pela gestão precisam manter comunicação entre as áreas de Segurança do Trabalho, Medicina Ocupacional e operação.
Dessa forma, alterações nas exposições podem ser consideradas tanto nas medidas de prevenção quanto no acompanhamento da saúde dos trabalhadores.
O que pode acontecer quando esses riscos não são acompanhados?
A ausência de uma avaliação adequada pode dificultar a identificação de situações de exposição e comprometer a definição das medidas de prevenção.
Além dos impactos potenciais à saúde, a empresa pode enfrentar problemas relacionados ao descumprimento de obrigações de SST.
Dependendo das circunstâncias, também podem surgir questionamentos administrativos, previdenciários e judiciais.
Isso não significa que toda exposição resulte em doença ou que a existência de um risco determine automaticamente uma responsabilidade específica.
Cada situação exige avaliação técnica e, quando aplicável, análise jurídica individualizada.
Entretanto, manter processos documentados, avaliações consistentes e medidas preventivas efetivas contribui para uma gestão mais organizada e segura.
Como a Ativa pode apoiar sua empresa?
A prevenção de riscos químicos exige informações confiáveis sobre as condições de trabalho.
Na Ativa Medicina e Segurança do Trabalho, nós apoiamos empresas na identificação, avaliação e gerenciamento dos riscos ocupacionais.
Entre nossas soluções estão o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), as avaliações quantitativas de agentes ocupacionais e a Gestão de Saúde Ocupacional.
As avaliações quantitativas podem contribuir para compreender as exposições presentes nos ambientes de trabalho, fornecendo informações técnicas para orientar medidas de prevenção e controle.
Com essas informações, a empresa pode estruturar decisões mais consistentes e acompanhar os riscos relacionados às suas atividades.
Sua empresa conhece os agentes químicos presentes na operação e sabe como as exposições estão sendo avaliadas?
Converse com nossa equipe e conheça as soluções da Ativa para avaliação de agentes de risco e Gestão de Segurança do Trabalho.