Quando entramos em uma feira, show, festa ou evento corporativo, encontramos tudo pronto: iluminação ligada, estruturas montadas, estandes funcionando, equipamentos instalados e áreas organizadas para receber o público.
Só que, alguns dias antes, aquele mesmo espaço poderia estar cheio de cabos, estruturas metálicas, ferramentas, máquinas, caminhões e profissionais trabalhando simultaneamente.
É nesse momento que fica mais fácil entender por que produzir um evento também envolve Saúde e Segurança do Trabalho.
E não estamos falando apenas de capacete, luva ou colete refletivo. Dependendo da estrutura e das atividades realizadas, diferentes riscos, profissionais, treinamentos e responsabilidades técnicas podem fazer parte da operação.
Vai instalar a parte elétrica? A NR-10 pode entrar em cena
Um evento pode precisar alimentar iluminação, painéis de LED, equipamentos de som, estandes, cozinhas, camarins e diversas outras estruturas.
Quem olha tudo funcionando durante o evento dificilmente pensa no trabalho necessário para instalar e distribuir essa energia.
Quando há intervenção em instalações elétricas, entram requisitos específicos de segurança. A NR-10 estabelece medidas de controle e sistemas preventivos para trabalhadores que interagem direta ou indiretamente com instalações e serviços em eletricidade. Para determinadas intervenções, a norma também estabelece requisitos de qualificação, capacitação e autorização.
Na prática, não basta saber instalar um cabo ou conectar um equipamento. É preciso avaliar qual atividade será executada, os riscos elétricos envolvidos e quais requisitos precisam ser atendidos por quem realizará o serviço.
É aí que a capacitação em NR-10 – Segurança em Eletricidade, quando aplicável à atividade, passa a fazer parte da preparação de quem trabalha nos bastidores.
Vai montar iluminação, cobertura ou estrutura elevada? Olhe para a NR-35
Agora imagine a montagem de um palco.
Refletores precisam ser posicionados. Estruturas podem ser instaladas acima do nível do solo. Painéis, elementos cenográficos e equipamentos precisam chegar a locais elevados.
Nessas situações, outro risco se torna evidente: a queda.
A NR-35 estabelece requisitos para o trabalho em altura e determina que essas atividades sejam planejadas, organizadas e executadas por trabalhadores capacitados e autorizados.
Por isso, quando uma atividade do evento envolve trabalho em altura, a capacitação em NR-35 pode fazer parte dos requisitos necessários para sua execução.
Utilizar cinturão e demais equipamentos aplicáveis é importante, mas não resume o processo.
A segurança começa antes de subir.
Tem carga entrando e estrutura sendo movimentada? O risco muda novamente
Antes de um evento abrir, muita coisa precisa chegar ao local.
Equipamentos de som, estruturas metálicas, materiais para estandes, mobiliário, caixas, painéis e outros itens podem exigir operações específicas de transporte e movimentação.
Dependendo do equipamento utilizado e da atividade realizada, entram requisitos relacionados à movimentação de materiais e à capacitação dos operadores.
É onde treinamentos ligados à NR-11, por exemplo, podem aparecer em determinadas operações.
O ponto não é criar uma lista de NRs para cada evento. É entender que cada etapa da montagem cria uma situação de trabalho diferente e precisa ser analisada dessa forma.
EPI não é figurino de montagem
Capacete, calçado de segurança, óculos, luvas e outros EPIs são imagens comuns quando pensamos nos bastidores de uma montagem.
Mas o equipamento precisa fazer sentido para o risco.
A NR-6 estabelece requisitos relacionados ao fornecimento, utilização e responsabilidades envolvendo Equipamentos de Proteção Individual.
Por isso, a pergunta não deveria ser simplesmente:
“Todo mundo está usando EPI?”
Antes dela vêm outras:
Qual atividade essa pessoa está executando? A qual risco ela está exposta? Quais medidas de prevenção são necessárias? E qual EPI é adequado para aquela situação?
A capacitação relacionada à NR-6 ajuda a transformar o equipamento de proteção em parte de uma rotina de prevenção, e não apenas em algo que o Trabalhador veste para entrar na área.
Uma feira, uma festa e um evento corporativo não têm necessariamente os mesmos riscos
Uma feira com dezenas de estandes pode envolver montagem de estruturas, instalações elétricas e grande circulação de fornecedores.
Um show ou uma festa pode acrescentar estruturas de palco, equipamentos de som, iluminação suspensa e trabalho em altura.
Um evento institucional ou político pode ter uma estrutura menor, mas ainda utilizar palco, geradores, equipamentos elétricos, tendas e estruturas temporárias.
Até uma confraternização empresarial pode exigir cuidados específicos dependendo de onde e como for realizada.
Por isso, não existe uma lista única de treinamentos ou medidas de segurança que sirva para qualquer evento.
É a operação real que determina os riscos que precisam ser gerenciados.
Evento temporário não significa segurança temporária
Há outro aspecto que vai além das relações de trabalho: a segurança da própria estrutura destinada a receber o público.
As exigências para eventos temporários envolvem também a legislação e as normas de prevenção e proteção contra incêndios de cada estado. A própria NR-23 determina que as medidas de prevenção contra incêndios observem a legislação estadual aplicável.
Dependendo das características da estrutura, da ocupação, do público e da legislação aplicável, a produção pode precisar avaliar itens como saídas de emergência, sinalização, extintores, iluminação de emergência, brigada e demais medidas de prevenção contra incêndios.
Da mesma forma, determinadas estruturas e instalações podem demandar Responsabilidade Técnica (RT) de profissional legalmente habilitado, conforme o serviço executado e as exigências aplicáveis.
Por isso, não é correto assumir que todo evento exigirá exatamente os mesmos profissionais ou a mesma estrutura de segurança. A necessidade de brigadistas, responsáveis técnicos e outras medidas depende das características do evento e das regras aplicáveis ao local.
Essa avaliação precisa acontecer antes da abertura ao público.
Quem é o brigadista quando todo mundo está olhando para o palco?
Em uma emergência, não basta ter extintores distribuídos pelo espaço.
É preciso que a organização do evento esteja preparada para responder às situações previstas no planejamento de segurança.
Em eventos com concentração de público, a necessidade de brigadistas e seu dimensionamento devem ser verificados de acordo com as normas do Corpo de Bombeiros aplicáveis à localidade e às características do evento.
Isso conecta segurança e produção de uma forma bastante prática: a segurança não pode ser pensada depois que palco, estandes e estruturas já estiverem definidos.
Ela precisa entrar no planejamento.
E quando dez fornecedores trabalham ao mesmo tempo?
Talvez esse seja um dos maiores desafios dos bastidores.
A empresa do palco está trabalhando enquanto a iluminação é instalada. O fornecedor do estande está descarregando material. A equipe elétrica está fazendo uma intervenção. Outra empresa está movimentando equipamentos.
Cada profissional pode estar fazendo corretamente a própria tarefa e, ainda assim, uma atividade interferir na segurança da outra.
É por isso que o gerenciamento de riscos ganha tanta importância.
O evento precisa ser enxergado como uma operação integrada: quem está trabalhando, o que cada equipe fará, onde as atividades acontecerão, quais riscos podem se cruzar e quais medidas precisam ser adotadas.
Nesse cenário, a NR-1 e o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais ajudam a estabelecer uma lógica que começa antes da execução: identificar perigos, avaliar riscos e definir medidas de prevenção.
O público não vê. A produção precisa enxergar.
Quando um evento funciona bem, o público provavelmente nunca saberá quem montou a estrutura, quem instalou a parte elétrica, quem avaliou o trabalho em altura ou quem organizou as medidas de prevenção.
E está tudo certo.
O trabalho dos bastidores existe justamente para que a experiência final aconteça como planejado.
Para empresas que produzem eventos, montam estruturas, participam de feiras ou contratam equipes para operações temporárias, a pergunta não deveria ser apenas “está tudo pronto para receber o público?”
Também deveria ser:
“Está tudo preparado para quem vai trabalhar antes, durante e depois dele?”
A Ativa Medicina apoia empresas na estruturação da Saúde e Segurança do Trabalho e oferece treinamentos relacionados às Normas Regulamentadoras, incluindo NR-6, NR-10, NR-11, NR-18, NR-23, NR-26 e NR-35, conforme as atividades e necessidades de cada operação.
Porque o evento pode ser temporário.
A responsabilidade com a segurança começa antes da montagem e só termina depois que a última estrutura é retirada.
Vai realizar, montar ou participar de um evento? Converse com a Ativa para avaliar as necessidades de Segurança do Trabalho e capacitação da sua operação.