Setembro Amarelo: prevenção começa antes da crise

Conscientizar é fundamental, mas prevenção também depende de informação, acolhimento e caminhos acessíveis para chegar ao cuidado.

Todos os anos, setembro amplia uma conversa necessária sobre prevenção ao suicídio. Mas talvez uma das perguntas mais importantes não seja feita apenas para quem está em sofrimento. Ela precisa ser feita também por famílias, empresas, instituições e pela sociedade: quando alguém precisa de ajuda, existem caminhos acessíveis para encontrá-la?

Essa pergunta muda a perspectiva. Porque conscientizar é fundamental. Falar sobre saúde mental é fundamental. Combater preconceitos também. Mas prevenção precisa ir além da mensagem “procure ajuda”. É preciso contribuir para que existam informação, acolhimento e caminhos reais para chegar ao cuidado.

Um problema de saúde pública que exige atenção permanente

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 727 mil pessoas morreram por suicídio no mundo em 2021. Mais da metade dessas mortes ocorreu antes dos 50 anos, e o suicídio figurou entre as principais causas de morte entre jovens.

Os números ajudam a demonstrar a dimensão do problema, mas não contam toda a história. Por trás de cada ocorrência existem pessoas, famílias, amigos e comunidades inteiras impactadas.

E existe outro aspecto fundamental: o comportamento suicida é complexo e não possui uma causa única. Questões de saúde, aspectos emocionais, acontecimentos de vida, condições sociais, relacionamentos, perdas e diferentes situações individuais podem interagir de maneiras distintas. Por isso, prevenção também não pode depender de uma única resposta.

Nem sempre o sofrimento é evidente

Existe uma imagem muito difundida de que uma pessoa em sofrimento necessariamente demonstrará tristeza intensa, isolamento ou incapacidade de seguir sua rotina. Nem sempre é assim.

Uma pessoa pode continuar conversando, trabalhando, estudando, encontrando amigos e cumprindo compromissos enquanto enfrenta um período extremamente difícil. Também não existe uma lista capaz de determinar, sozinha, que alguém está pensando em suicídio.

O Ministério da Saúde orienta que sinais devem ser observados em conjunto e que mudanças persistentes de comportamento merecem atenção. Falas relacionadas à desesperança, sensação de não ter saída ou de ser um peso para outras pessoas, isolamento e mudanças importantes de comportamento podem indicar que alguém precisa de acolhimento e avaliação adequada.

O papel de quem está próximo não é diagnosticar. É não ignorar.

Saber conversar também é uma forma de cuidado

Muitas pessoas evitam conversar sobre suicídio porque têm medo de não saber o que dizer. Outras acreditam que perguntar diretamente pode incentivar alguém a pensar no assunto. Essa ideia é um mito.

Quando existe uma preocupação real, abordar o tema de maneira cuidadosa e direta pode abrir espaço para que a pessoa fale sobre o que está vivendo. E essa conversa não precisa começar com uma resposta perfeita. Pode começar com algo muito simples: “Percebi que você não parece bem. Quer conversar?” Ou: “Estou preocupado com você. Como posso ajudar?”

Se houver sinais que indiquem preocupação com suicídio, é possível perguntar diretamente se a pessoa tem pensado em tirar a própria vida. Mais importante do que encontrar a frase perfeita é estar disponível para ouvir sem julgamento.

Acolher não significa tentar resolver tudo

Quando alguém compartilha um sofrimento intenso, existe uma tendência natural de procurar rapidamente uma solução. “Você precisa pensar positivo.” “Vai passar.” “Você tem tantas coisas boas.” “Não pense assim.”

Embora geralmente sejam ditas com boa intenção, essas respostas podem diminuir involuntariamente aquilo que a pessoa está tentando comunicar. Escutar pode ser mais importante.

Frases como “Obrigado por confiar em mim.”, “Quero entender o que você está sentindo.” e “Você não precisa enfrentar isso sozinho.” podem ajudar a manter a conversa aberta.

Mas existe uma fronteira igualmente importante. Amigos, familiares, colegas e lideranças podem acolher. O cuidado profissional deve ser realizado por profissionais e serviços preparados para isso. Por isso, uma conversa pode ser o começo. O encaminhamento adequado é o passo seguinte.

A distância entre precisar de ajuda e conseguir ajuda importa

É justamente aqui que empresas e instituições também podem contribuir. Não assumindo o papel de profissionais de saúde, não investigando a vida particular das pessoas e muito menos tentando identificar quem está ou não em sofrimento.

A contribuição está em algo mais concreto: ampliar possibilidades de cuidado e facilitar o acesso à saúde.

Uma pessoa pode reconhecer que precisa de ajuda e, ainda assim, enfrentar barreiras para consegui-la. Pode não saber por onde começar, adiar uma consulta, acreditar que conseguirá resolver sozinha ou procurar atendimento somente quando o problema já se agravou.

Por isso, quanto menor a distância entre a necessidade e o acesso ao cuidado, melhor.

Cuidado precisa existir durante todo o ano

Na Ativa, entendemos saúde como uma jornada contínua. A Saúde Ocupacional acompanha a saúde dos trabalhadores ao longo de sua trajetória profissional e contribui para uma cultura mais ampla de prevenção e cuidado.

O Elos bem estar complementa essa jornada com iniciativas voltadas à promoção da saúde, qualidade de vida e bem estar, aproximando informação e cuidado das pessoas. Já o Assistencial 24h amplia as possibilidades de acesso à assistência, oferecendo uma porta disponível quando surge uma necessidade de saúde.

São soluções diferentes, com funções diferentes. Mas existe algo que as conecta: a ideia de que cuidar da saúde não deveria começar somente quando uma situação se torna grave. E é justamente essa perspectiva que o Setembro Amarelo pode ajudar a fortalecer.

Empresas também podem facilitar caminhos

Quando uma organização disponibiliza assistência e iniciativas permanentes de saúde e bem estar, ela não está assumindo a responsabilidade pela vida particular de seus trabalhadores. Está oferecendo caminhos.

E isso permite transformar uma mensagem abstrata, “cuide da sua saúde”, em possibilidades concretas de acesso.

A prevenção ao suicídio é uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade e exige políticas públicas, serviços de saúde, profissionais capacitados, famílias, comunidades e redes de apoio. Nenhuma empresa e nenhum benefício isolado são capazes de responder a um fenômeno tão complexo.

Mas todos podem fazer parte de uma rede que informa, acolhe e aproxima as pessoas do cuidado adequado.

Setembro termina. O cuidado não deveria terminar com ele.

O Setembro Amarelo cumpre um papel importante ao ampliar a discussão pública sobre suicídio e prevenção. Mas campanhas de conscientização alcançam seu verdadeiro potencial quando aquilo que discutimos durante um mês produz mudanças que permanecem depois dele.

Talvez, portanto, a pergunta mais importante para setembro não seja: “O que vamos publicar sobre Setembro Amarelo?” Mas: “Que caminhos para o cuidado estamos ajudando a manter disponíveis durante todo o ano?”

Porque prevenção também se constrói com informação, com atenção, com escuta, com acolhimento, com assistência e com acesso.

Setembro pode ampliar a conversa. O cuidado precisa continuar todos os dias.

Precisa de apoio?

Se você ou alguém próximo estiver enfrentando sofrimento emocional intenso ou pensamentos de suicídio, procure ajuda.

CVV — 188
Atendimento gratuito para apoio emocional.

Em situações de urgência ou risco imediato, procure um serviço de emergência ou acione o SAMU pelo 192.

Também é possível buscar atendimento nos serviços da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS.

Fontes

Organização Mundial da Saúde (OMS) — Suicide: Fact Sheet e dados globais sobre prevenção do suicídio.

Ministério da Saúde — Prevenção do suicídio e orientações para identificação de sinais e busca por ajuda.

Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) — Informações e estratégias de prevenção do suicídio.

Lei Federal nº 15.199/2025 — Institui a campanha Setembro Amarelo e o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio.

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