Agosto Lilás: o que a empresa pode fazer diante de situações de violência que impactam o trabalho

A rotina de trabalho nem sempre começa quando o Trabalhador chega à empresa

Agosto Lilás é uma campanha nacional de conscientização pelo enfrentamento da violência contra a mulher. Embora o tema seja frequentemente associado ao ambiente familiar e à rede de proteção pública, seus reflexos podem ultrapassar os limites da vida pessoal e alcançar também o ambiente de trabalho.

Para as empresas, esse não é um assunto que deve ser tratado apenas como uma questão social. Em muitos casos, ele também representa um desafio de gestão.

Os números mostram que esse não é um tema isolado.

Segundo a pesquisa Visível e Invisível: A Vitimização de Mulheres no Brasil (2025), realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com o Instituto Datafolha, milhões de brasileiras relataram ter sofrido algum tipo de violência nos 12 meses anteriores à pesquisa. O levantamento também evidencia que muitas dessas situações permanecem invisíveis para colegas, lideranças e até para familiares, o que reforça a importância de ambientes que favoreçam o acolhimento e a identificação precoce de sinais de vulnerabilidade.

Embora a violência ocorra fora da empresa na maior parte dos casos, seus efeitos podem chegar ao ambiente de trabalho, influenciando aspectos como atenção, produtividade, relacionamento entre equipes e saúde emocional.

Mudanças repentinas de comportamento, queda de produtividade, faltas frequentes, dificuldade de concentração e isolamento podem ter diferentes causas. Entre elas, situações de violência vivenciadas fora da empresa.

Isso não significa que a organização deva investigar a vida pessoal dos trabalhadores. Significa compreender que determinados acontecimentos externos podem refletir no desempenho profissional e que ambientes de trabalho preparados conseguem oferecer acolhimento e encaminhamento adequado quando necessário.

O cenário em números

  • A pesquisa Visível e Invisível 2025 aponta que milhões de mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência nos últimos 12 meses.
  • O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o equivalente a cerca de quatro mulheres mortas por dia.
  • O crescimento dos casos ocorre mesmo em um cenário de redução das mortes violentas em geral, indicando que a violência de gênero continua sendo um desafio específico para a sociedade brasileira.



Os impactos também chegam ao ambiente de trabalho

As consequências da violência contra a mulher não ficam restritas ao ambiente doméstico. Elas podem refletir na rotina profissional por meio do aumento do absenteísmo, da queda de produtividade, da dificuldade de concentração e do afastamento das atividades.

Além disso, a própria empresa também pode ser um espaço onde situações de violência e assédio acontecem. Levantamentos nacionais indicam que o ambiente de trabalho ainda representa um local de exposição para muitas mulheres, especialmente em situações envolvendo assédio moral, assédio sexual e outras formas de violência psicológica.

Essa realidade reforça a necessidade de organizações desenvolverem ambientes mais seguros, canais de acolhimento confiáveis e lideranças preparadas para lidar com mudanças de comportamento de forma ética, respeitosa e dentro dos limites da atuação da empresa.

O papel da empresa não é resolver o problema, mas saber como agir

É importante deixar claro que a responsabilidade pela violência não pertence à empresa. Também não cabe às lideranças substituir profissionais especializados ou órgãos de proteção.

O papel da organização é outro: construir um ambiente onde as pessoas se sintam respeitadas, seguras e saibam que existe uma rede de apoio caso precisem.

Isso passa por aspectos como:

  • lideranças preparadas para identificar mudanças significativas de comportamento;
  • canais internos de acolhimento e comunicação;
  • políticas claras de respeito e combate a qualquer forma de violência;
  • encaminhamento responsável para os serviços competentes quando necessário.

Uma empresa preparada não faz julgamentos nem invasões de privacidade. Ela cria condições para que o trabalhador saiba onde buscar apoio.

O que isso tem a ver com os Riscos Psicossociais?

A atualização da NR-1 ampliou a importância da gestão dos Riscos Psicossociais, reforçando que fatores relacionados à organização do trabalho devem ser identificados, avaliados e acompanhados dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).

Situações de violência doméstica, por si só, não são um risco ocupacional criado pela empresa. No entanto, elas podem influenciar a forma como o trabalhador vivencia sua rotina profissional.

Quando essa realidade se soma a fatores organizacionais como excesso de demandas, jornadas prolongadas, pressão constante, conflitos interpessoais ou ausência de apoio da liderança, os impactos podem ser potencializados.

Por isso, a gestão dos Riscos Psicossociais exige um olhar mais amplo, capaz de compreender que o contexto vivido pelas pessoas pode influenciar sua saúde e seu desempenho, sem que isso represente interferência na vida privada.

Lideranças fazem diferença

Na prática, são os líderes que costumam perceber primeiro quando algo muda.

Uma Trabalhadora que sempre foi participativa passa a se isolar. Um profissional começa a faltar com frequência ou demonstra dificuldade de concentração. Mudanças como essas nem sempre têm relação com o trabalho, mas merecem atenção.

O objetivo não é investigar o motivo nem exigir explicações pessoais.

O mais importante é criar espaço para o diálogo, acolher com respeito e conhecer os fluxos internos para orientar o trabalhador aos canais adequados quando necessário.

Essa postura fortalece a confiança entre equipes e contribui para um ambiente mais saudável.

Prevenção também passa pelo cuidado

Empresas que investem em prevenção entendem que cuidar da Saúde e Segurança do Trabalho vai além da gestão documental.

Promover uma cultura organizacional baseada em respeito, diálogo e acolhimento fortalece as relações de trabalho e contribui para reduzir fatores que podem agravar situações de vulnerabilidade.

Esse cuidado também pode ser ampliado por meio de soluções complementares de apoio emocional.

O Elos Bem-Estar, por exemplo, oferece acesso à assistência psicológica como um recurso complementar às estratégias de Saúde e Segurança do Trabalho, permitindo que trabalhadores encontrem orientação profissional quando necessário, sempre com respeito à privacidade e ao sigilo.

Um ambiente preparado também protege pessoas

O Agosto Lilás reforça uma mensagem importante para as organizações: nem todos os desafios que impactam o ambiente de trabalho começam dentro da empresa.

Embora a violência aconteça fora da organização, seus reflexos podem chegar às equipes, às lideranças e à rotina operacional.

Por isso, desenvolver uma gestão preventiva significa olhar para as pessoas de forma responsável, fortalecer lideranças, promover ambientes de respeito e estruturar processos capazes de oferecer acolhimento sem ultrapassar os limites da atuação da empresa.

Mais do que atender às exigências relacionadas à gestão dos Riscos Psicossociais, esse é um caminho para construir organizações mais preparadas, humanas e alinhadas às boas práticas de Saúde e Segurança do Trabalho.

Sua empresa já está preparada para incorporar a gestão dos Riscos Psicossociais às estratégias de SST?

A Ativa apoia organizações na identificação desses riscos, na atualização do PGR e no fortalecimento de ações preventivas. Além disso, por meio do Elos Bem-Estar, disponibiliza acesso à assistência psicológica como complemento às estratégias de cuidado e promoção da saúde no ambiente de trabalho. Entre em contato e conheça as soluções que podem apoiar a sua gestão.

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