Em maio, mês das mães, empresas precisam olhar para a sobrecarga emocional das mães trabalhadoras e para a nova exigência da NR-1 sobre riscos psicossociais. Entenda por que a gestão desse tema se tornou urgente.
Maio costuma chegar com flores, homenagens, campanhas emocionadas e mensagens bonitas sobre o amor de mãe.
Mas existe uma parte dessa história que quase nunca aparece nos comerciais.
A mãe que acorda antes de todo mundo.
A mãe que deixa o filho na escola e chega no trabalho tentando não demonstrar que já viveu uma jornada inteira antes das 8h.
A mãe que responde e-mail pensando na consulta pediátrica.
A mãe que participa de uma reunião enquanto organiza mentalmente a lista do mercado, o uniforme do dia seguinte, o remédio, a mensalidade, a culpa e o cansaço.
A mãe que trabalha fora, trabalha dentro, cuida, entrega, sustenta, resolve e, muitas vezes, adoece em silêncio.
No Brasil, a maternidade ainda é atravessada por uma realidade dura: cuidar continua sendo uma responsabilidade majoritariamente feminina. Segundo o IBGE, em 2022, as mulheres dedicavam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, enquanto os homens dedicavam 11,7 horas. Ou seja, antes mesmo de considerar a jornada profissional, muitas mulheres já carregam uma carga invisível quase duas vezes maior dentro de casa.
E quando essa mulher também é mãe, essa carga deixa de ser apenas uma questão familiar. Ela passa a atravessar a vida profissional, a produtividade, a concentração, o desempenho, a saúde mental e a permanência no trabalho.
Esse é o ponto que as empresas precisam entender em maio de 2026: falar sobre mães trabalhadoras não é apenas uma ação de Dia das Mães. É falar sobre organização do trabalho, saúde mental, prevenção de adoecimento e responsabilidade legal.
A partir de 26 de maio de 2026, a NR-1 passa a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, o GRO. Esses fatores deverão constar no inventário de riscos ocupacionais, ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos, de acidentes e ergonômicos.
Isso muda o peso da conversa.
O que antes muitas empresas tratavam como “problema pessoal”, “fase difícil”, “falta de equilíbrio” ou “questão de vida privada” agora precisa ser analisado também pela ótica da gestão do trabalho.
Porque quando a forma como o trabalho é planejado, cobrado, distribuído, comunicado e liderado adoece pessoas, isso passa a ser risco ocupacional.
A maternidade não tira competência. A sobrecarga tira saúde.
Existe uma confusão silenciosa no mercado de trabalho: muitas vezes, a maternidade é vista como um fator de limitação profissional.
Mas o problema não está na mãe.
O problema está em estruturas que ainda esperam que uma mulher produza como se não cuidasse de ninguém, cuide como se não trabalhasse e suporte tudo como se não tivesse limites.
Os dados mostram que a desigualdade segue presente. O IBGE aponta que, em 2022, a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho foi de 53,3%, enquanto a dos homens foi de 73,2%. Além disso, as mulheres receberam, em média, o equivalente a 78,9% do rendimento dos homens.
Quando olhamos para a estrutura dos lares brasileiros, a responsabilidade feminina também se torna evidente. O Censo 2022 mostrou que 49,1% das unidades domésticas no Brasil tinham mulheres como responsáveis, praticamente equiparando a proporção entre homens e mulheres responsáveis pelos domicílios.
Na prática, isso significa que muitas mulheres não apenas cuidam. Elas também sustentam, decidem, organizam e lideram financeiramente suas casas.
E, ainda assim, seguem enfrentando jornadas duplas ou triplas.
Para uma empresa, ignorar essa realidade é ignorar uma parte concreta da experiência de trabalho de milhares de profissionais. Não se trata de favorecer mães. Trata-se de reconhecer que a organização do trabalho pode aliviar ou agravar fatores de risco psicossociais.
Uma mãe trabalhadora pode lidar com pressão, metas e responsabilidades. O que adoece é a soma de cobrança excessiva, falta de apoio, comunicação falha, metas impossíveis, ausência de previsibilidade, assédio, medo de perder espaço e culpa constante por não conseguir estar inteira em lugar nenhum.
E esses são exatamente alguns dos pontos que passam a ter relevância dentro da gestão dos riscos psicossociais.
O que a NR-1 tem a ver com o Dia das Mães?
Tudo.
Porque a NR-1 não fala sobre maternidade diretamente. Mas fala sobre o que muitas mães vivem todos os dias dentro das empresas: sobrecarga, falta de apoio, pressão intensa, falhas na organização do trabalho, ausência de escuta, relações desgastadas e condições que podem afetar a saúde mental, física e social dos trabalhadores.
O Ministério do Trabalho e Emprego explica que os fatores psicossociais estão relacionados à forma como as atividades são planejadas, organizadas e executadas. Quando mal conduzidos, podem prejudicar a saúde mental, física e social dos trabalhadores. Entre os exemplos citados estão metas impossíveis, excesso de trabalho, assédio moral, falta de apoio das lideranças, tarefas repetitivas ou solitárias, desequilíbrio entre esforço e recompensa e falhas de comunicação.
Agora pense em uma mãe trabalhadora inserida em um ambiente com:
- pressão constante por disponibilidade fora do expediente;
- reuniões sem previsibilidade;
- lideranças que penalizam ausências justificadas;
- metas incompatíveis com a capacidade real da equipe;
- comunicação agressiva
- sobrecarga concentrada em poucas pessoas;
- falta de apoio emocional;
- cultura de culpa para quem precisa conciliar trabalho e família.
Esse ambiente não gera apenas desconforto.
Ele pode gerar risco.
E risco precisa ser identificado, avaliado, classificado, controlado e acompanhado dentro do GRO.
A própria orientação do MTE reforça que a gestão de riscos ocupacionais deve ser voltada à prevenção, com identificação, avaliação e gerenciamento dos riscos no ambiente de trabalho. Entre os temas abordados está o gerenciamento dos riscos psicossociais, que incluem fatores relacionados à organização do trabalho capazes de impactar a saúde mental dos trabalhadores.
Por isso, maio não pode ser apenas um mês de homenagem.
Em 2026, maio precisa ser um mês de decisão.
A saúde mental das mulheres já acendeu o alerta
O cenário brasileiro de afastamentos por saúde mental mostra que o problema não é pontual.
Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, um crescimento de 15,66% em relação a 2024. A maior parte desses benefícios foi concedida a mulheres: 63,46% do total.
Esse dado precisa ser lido com seriedade pelas empresas.
Não significa que todo afastamento esteja diretamente relacionado ao trabalho. Mas significa que a saúde mental da população trabalhadora, especialmente das mulheres, já está sob forte pressão.
E quando uma empresa não avalia seus fatores de risco psicossociais, ela deixa de enxergar sinais importantes antes que eles se transformem em afastamentos, conflitos, queda de produtividade, rotatividade, ações trabalhistas, autuações ou perda de confiança interna.
A gestão de riscos psicossociais não existe para invadir a vida privada do trabalhador. Ela existe para olhar para aquilo que a empresa pode e deve gerenciar: a forma como o trabalho acontece.
A pergunta que toda empresa precisa fazer é simples:
o ambiente de trabalho está protegendo ou adoecendo as pessoas?
O cuidado com mães trabalhadoras precisa sair do discurso
No Dia das Mães, é comum que as empresas publiquem mensagens bonitas sobre força, amor e dedicação.
Mas a pergunta real é: o que a empresa faz depois que o post sai do ar?
Reconhecer mães trabalhadoras é importante. Mas reconhecimento sem estrutura vira apenas homenagem vazia.
Na prática, uma empresa que deseja cuidar de verdade precisa olhar para pontos como:
- Como as demandas são distribuídas?
- As metas são realistas?
- As lideranças sabem identificar sinais de sobrecarga?
- A comunicação interna reduz ou aumenta ansiedade?
- Existe abertura para falar sobre sofrimento emocional sem medo de punição?
- A empresa escuta seus trabalhadores antes que o problema vire afastamento?
- O PGR considera fatores psicossociais relacionados à organização do trabalho?
- Existe plano de ação documentado para controlar os riscos identificados?
- A empresa tem canais, indicadores e medidas de prevenção acompanhadas de forma contínua?
Essas perguntas não são apenas humanas. São estratégicas.
A partir de 26 de maio de 2026, elas também passam a fazer parte de uma nova maturidade legal e ocupacional.
Empresas que começarem agora terão mais condições de se adequar com segurança, organizar documentos, orientar lideranças, envolver trabalhadores, revisar processos e construir um plano consistente.
Empresas que deixarem para depois podem descobrir tarde demais que saúde mental não se resolve com pressa, improviso ou campanha isolada.
A gestão de riscos psicossociais não é uma ação pontual. É um processo.
Um dos maiores erros das empresas é achar que atender à NR-1 será apenas aplicar uma pesquisa.
A pesquisa pode fazer parte do processo. Mas ela não substitui a gestão.
A gestão de riscos psicossociais precisa estar conectada ao GRO, ao PGR, à NR-17, à realidade operacional da empresa e às condições concretas de trabalho.
Isso envolve identificar perigos, avaliar riscos, classificar prioridades, definir medidas de prevenção, implementar ações, acompanhar resultados e revisar continuamente o processo.
Em outras palavras: não basta perguntar se as pessoas estão bem. É preciso agir sobre os fatores que fazem com que elas não estejam.
E, nesse ponto, a maternidade é um recorte importante para ampliar a percepção da empresa.
Porque mães trabalhadoras costumam sentir primeiro os efeitos de ambientes desorganizados. Falhas de comunicação, urgências constantes, retrabalho, pressão sem planejamento e falta de apoio atingem toda a equipe, mas pesam ainda mais sobre quem já carrega responsabilidades intensas fora do trabalho.
Cuidar desses fatores beneficia mães, pais, lideranças, equipes operacionais, administrativos e toda a organização.
A gestão de riscos psicossociais não é uma pauta de nicho.
É uma pauta de sustentabilidade empresarial.
Maio de 2026: o prazo chegou
A partir de 26 de maio, as empresas precisam estar preparadas para demonstrar como estão incluindo os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
Isso não significa transformar o ambiente de trabalho em um consultório. Também não significa responsabilizar a empresa por todos os problemas emocionais da vida de uma pessoa.
Significa cumprir uma obrigação clara: olhar para os fatores relacionados ao trabalho que podem gerar sofrimento, adoecimento ou agravamento de condições de saúde.
A diferença é importante.
A empresa não precisa diagnosticar trabalhadores.
A empresa precisa gerenciar riscos.
A empresa não precisa invadir a vida pessoal.
A empresa precisa avaliar a organização do trabalho.
A empresa não precisa prometer que ninguém vai adoecer.
A empresa precisa comprovar que identifica, controla e acompanha os riscos existentes.
Esse é o novo ponto de maturidade.
E ele exige método, documentação, estratégia e apoio técnico.
O papel da Ativa Medicina nesse processo
A Ativa Medicina e Segurança do Trabalho apoia empresas na construção de uma gestão mais segura, técnica e humana dos riscos ocupacionais, incluindo os fatores psicossociais relacionados ao trabalho.
Com atuação em medicina e segurança do trabalho, estrutura nacional, equipe técnica especializada e soluções integradas, a Ativa auxilia empresas a conectarem a exigência da NR-1 à realidade do dia a dia.
Isso significa sair do discurso e construir um caminho prático:
- levantamento da realidade da empresa;
- orientação sobre riscos psicossociais;
- apoio na integração com o GRO e o PGR;
- ações de prevenção e conscientização;
- treinamentos e suporte técnico;
- soluções digitais voltadas ao cuidado com a saúde mental dos trabalhadores.
Entre essas soluções está o Elos Bem-Estar, programa 100% digital de apoio à saúde mental, criado para ampliar o acesso ao cuidado de forma acessível, conectada e humana.
Neste mês de maio, em razão da entrada em vigor da nova etapa da NR-1 e da campanha de conscientização voltada ao cuidado com mães trabalhadoras, a Ativa está com 20% de desconto no Elos Bem-Estar.
É uma oportunidade para empresas que desejam começar agora, com mais segurança, mais estratégia e mais responsabilidade.
Porque cuidar de mães trabalhadoras não é apenas uma ação bonita para maio.
É parte de uma cultura de prevenção.
É parte da gestão de riscos.
É parte do futuro do trabalho.
Quando uma empresa cuida da saúde mental, ela protege pessoas e sustenta resultados
Mães não precisam ser vistas como heroínas incansáveis.
Elas precisam ser vistas como pessoas.
Pessoas que trabalham, cuidam, produzem, lideram, sentem, cansam e precisam de ambientes mais saudáveis para continuar contribuindo sem adoecer.
A NR-1 chega para reforçar algo que a realidade já vinha mostrando: saúde mental não pode mais ser tratada como assunto secundário dentro das empresas.
O cuidado deixou de ser apenas um valor bonito.
Agora, ele também precisa ser gestão, evidência, documento, prevenção e ação.
Neste mês das mães, a melhor homenagem que uma empresa pode fazer talvez não seja apenas publicar uma mensagem.
Talvez seja olhar para dentro e perguntar:
as mães que trabalham aqui estão sendo cuidadas pela nossa cultura ou sobrecarregadas por ela?
A resposta a essa pergunta pode revelar muito sobre o presente da empresa.
E também sobre o quanto ela está preparada para o futuro.
A segurança de uma empresa começa pela saúde dos trabalhadores. E, a partir de 26 de maio, cuidar dos fatores psicossociais também passa a ser parte essencial dessa responsabilidade.
Fale com a Ativa Medicina e prepare sua empresa para a nova fase da NR-1. Em maio, o Elos Bem-Estar está com 20% de desconto para empresas que querem começar agora uma gestão mais humana, preventiva e segura.